No mínimo. Hoje tive um dia bastante estranho. Começou muito bem com o frio de rachar, aliado a um nevoeiro que mal deixava ver a rua. Mas isto ainda se suporta. O que não se suportou foi a aula de Educação Física, ou a falta dela na sua verdadeira essência. Isto porque em vez de um bom Basquetebol, um bom Andebol, um bom Futebol, um bom jogo desportivo colectivo, a aula hoje cingiu-se a um desporto... mental: o Xadrez. Ok agora sim posso dizer que já vi tudo. Xadrez em Educação Física. O pior de tudo é que, não sei se já vos aconteceu o mesmo, mas sempre que termino esta aula não deixo de ir ao banho, ainda por cima à pala. Fui para a escola sem o banho tomado, o resultado final foi muito mau. Uma aula que não necessitou dos balneários para nada. Ficou o banho por ser tomado. -.- Ainda para mais com a humidade que estava o cabelo ficou horrível.
Se o dia tivesse acabado logo ali no fim de Educação Física teria sido uma maravilha. Infelizmente tive uma aula de Automação para esquecer. Num dos seus muitos sermões, o prof. exaltou-se com o estado do país. Chamou cobras e lagartos ao rumo que isto está a levar, que se não formos bons no que fazemos não chegamos a lado nenhum, em suma, aquilo que quase todos os professores dizem. Mas houve algo que me exaltou: Quando se vira para a aula e diz que a função pública do país também não ajuda e que é uma das grandes responsáveis pela degradação do país, para não falar das bocas comuns de que não se faz nada e que só se recebe o salário ao fim do mês, etc. e tal. Exaltei-me e, por ter na minha família mais próxima quem trabalhe dentro da "máquina estatal", disse que estava a exagerar e que aqueles argumentos não eram verdade. Não podia ter sido pior. Eu é que não estava a ver bem as coisas, enquanto que o tom de voz aumenta sem precedentes. Volto a dizer que sei do que falo e não estava ali apenas a contra argumentar. Quando dei por mim, tinha o prof. a dois palmos de mim, a gritar-me alto e bom som como nunca tinha visto. As veias a sobressaírem-lhe por todos o lados. Os perdigotos disparados em todas as direcções. A falar com o coração. A falar do seu pai. A falar do muito que sofreu enquanto eng. agrónomo do Instituto da Conservação da Natureza. Foi uma discussão que nem sequer quis prolongar, embora estivesse a crescer dentro de mim, ao mesmo tempo que via aquele "espectáculo", uma ânsia de poder ripostar aquele disparate todo, que o foi, receei. E não prolonguei a discussão, sob pena da situação azedar ainda mais. Isto tudo sobre uma coisa que nem sequer tinha a ver com a aula. Fiquei atordoado. Nunca tinha tido um professor a gritar-me em plenos pulmões, com uma cara que tão cedo não esqueço. A barafustar que a função pública como é em Portugal é um antro de parasitas. Por muito que tenha razão, a forma como se exaltou, deixou-me perplexo e ao mesmo tempo irritado, desapontado. Receio não ver aquele homem da mesma forma daqui para a frente. Pode ser que mude de opinião.
O regresso a casa também foi um bocadinho diferente do normal. Resta-me dizer que hoje não apanhei um único motorista que tivesse consideração pelos passageiros que transporte associando-os, decerto, a sacas de batatas que deambulam pelo autocarro não tendo outra forma de se agarrarem que não aos varões e aos suportes. Eu próprio ao me dirigir para a porta de saída do veículo levei com uma travagem brusca que quase ficava esborrachado contra a porta. Por fim e já a caminho de casa, passo num café de esquina como todos os outros dias, olho lá para dentro, vejo um homem empurrar outro contra uma mesa, embatendo com alguma violência e caindo estatelado no chão. Fiquei sem qualquer reacção. O dia já tinha sido estranho o suficiente, apenas não consegui parar as pernas que prosseguiam o caminho habitual. É caso para dizer: fiquei tipo WTF perante aquela situação.
Será por estarmos tão perto do Natal? Anda tudo doido?! Será por ter sido 2ª feira? Nunca tive razão de queixa deste dia, mas hoje realmente a reputação ficou manchada. Cheguei a casa são e salvo. Isso é que importa.

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Prova que sou um gajo normal.